Sergio da Motta e Albuquerque 3/2/2020 Eu lembro quando esperava meu pai chegar do trabalho, lá na casa de uns tios, no que era então a chamada “Zona Rural” do Rio de Janeiro. Era uma propriedade grande, e estávamos na década de 1960. O portão, sempre aberto até as primeiras horas da noite, ficava a uns 300 metros ou mais à frente da entrada principal da casa sede. Eu olhava a distância, e o caminho de pedras regulares, em forma de cubos e pintadas de branco que conduziam à entrada principal da residência. Imaginava então se meu pai voltaria para nós, ou não. Um sentimento estranho me invadia, naquelas horas mortas, em que eu quase sempre estava só, naquela ampla sala. Não era bem tristeza, aflição ou nostalgia aquilo que eu sentia. Era um tipo de contemplação, plena de ansiedade, silêncio e mais algo para o qual eu não tenho palavras. Um tipo de lamento antecipado, caso o pior acontecesse. Quase um estado de consternação. U...